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Entrevista: Fafá de Belém, cantora Fafá de Belém dispensa apresentação. A mais famosa cantora paraense abre o jogo: diz que Belém está abandonada, critica a proliferação de espigões à beira do rio, o descaso com o patrimônio histórico e fala de seus planos para o futuro. POR DENTRO – Como você vê a Belém de hoje? FAFÁ DE BELÉM - Belém é uma cidade única, mas está muito destruída. Belém tem um povo fantástico, um sabor especial, uma graça única, ma está muito abandonada e muito suja. Muitos monumentos nossos foram colocados abaixo, a praça da República está completamente insegura e a praça Batista Campos está cheia de carrocinhas de tudo. A impressão que fica para quem vem de fora é muito ruim. PD – Você não vê nada de bom em Belém? FAFÁ – Belém tem tudo de bom, mas tem muita coisa em Belém que deveria estar muito melhor: a limpeza da cidade, o cuidado com a cidade, o cuidado com os monumentos, a preservação dos casarios portugueses, dos grandes palacetes... Eu acabei de voltar de Paris, da França, agora, e lá não se bota abaixo casas centenárias. Aqui em Belém não tem controle, não tem gabarito. Como é que pode em toda a beira do rio ter prédio de 37, 39 andares? Isso não pode! Não pode acabar com a ventilação, mudar o rumo dos ventos... É sobre isso que eu estou falando. PD – Você vai ser Fafá de Belém para sempre? FAFÁ DE BELÉM – Belém está mais em mim do que eu imaginava. Eu estava para comprar um casario aqui em Belém... No futuro eu quero ter uma fundação que preserve a nossa história, que empregue mulheres e homens com mais de 40 anos. Temos que ter, por exemplo, uma olaria para preservar a arte tapajônica, garantindo que esses mestres continuem ensinando as futuras gerações e tenham participação na renda final. Este é um sonho meu e eu sei que vou realizar. Outro sonho é ter um barco, que seja o barco da alegria, que traga prevenção de saúde, dentária, para a mulher e à criança, fundamentalmente. (www.portalorm.com.br)
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